Em Israel, as transações imobiliárias representam uma enorme parte da economia do país (os impostos diretos sobre as transações imobiliárias representam mais de 7% de todos os impostos coletados em Israel!). A essência dessas transações se faz, no entanto, sobre um número muito pequeno de cidades.
Assim, um estudo recente indica que, por exemplo, em 2014, 4199 transações concernentes aos apartamentos mais procurados (de 3 a 4 cômodos) foram realizadas em Tel-Aviv e 3931 em Jérusalem, colocando assim esses dois grandes polos religiosos, políticos e econômicos na liderança do país. Em 33,9% dos casos, trata-se de primeiras aquisições imobiliárias, em 46,2%, essas transações são decorrentes de uma mudança de cidade, em 34,7%, trata-se de puros investimentos e em 11,2% dos casos, trata-se de aquisições por estrangeiros.
É em Tel-Aviv que se constata mais compradores de primeira habitação (7,1% das compras locais), enquanto é frequentemente após uma mudança que se compra um apartamento em Jérusalem.
Tel-Aviv se posiciona também como a cidade onde mais se compra para investimento puro por israelenses, enquanto Jérusalem permanece o alvo privilegiado dos compradores estrangeiros (28% das transações realizadas em Jérusalem são feitas por estrangeiros; por comparação, em Ashkelon apenas 2,3% das transações são efetuadas por estrangeiros).
E só se pode constatar que os preços não param de subir de maneira impressionante, tanto em Jérusalem quanto em Tel-Aviv. É necessário agora em média 2.177.000 shekels para comprar um apartamento de 4 cômodos em Jérusalem e 3.000.000 shekels em Tel-Aviv. Para informação, 1.000.000 são suficientes para esses mesmos 4 cômodos em Ashkelon.
Mas por que diabos é tão caro em Jérusalem???
Sem praia, prédios nem sempre bonitos de ver, um ambiente às vezes austero... Certamente, mas há mais de 2000 anos todos os judeus do mundo repetem incansavelmente "No próximo ano em Jérusalem", e não "No próximo ano na praia ou no esqui"! Mesmo os judeus mais distantes do judaísmo ouviram esse refrão que traduzido ao americano daria: "Location, location, location" (localização, localização, localização em bom português).
É aí que está o problema. Jérusalem, 850.000 habitantes e apenas 215.237 habitações residenciais. Em média, 81m2 por apartamento. E se os israelenses nativos são capazes de se considerar bem alojados em 35m2 porque criaram dez filhos ali, certamente não é o sonho dos estrangeiros ou dos novos imigrantes! Então, se retirarmos de nossas 215.237 habitações, os 21.000 apartamentos de menos de 40m2, só nos restam "em estoque" cerca de 194.000 apartamentos! Desses 194.000 apartamentos que nem todos os proprietários desejam necessariamente vender, apenas aqueles situados nos bairros centrais interessam aos recém-chegados ou aos estrangeiros, o que nos leva a considerar finalmente apenas 43.800 apartamentos potencialmente interessantes por estarem situados nos famosos bairros seguintes: Centro, Na'hlaot, Shaarei 'Hessed, Re'havia, Katamon, Mamilla, Talbyeh, Kiryat Moshé, Baît Vegan, Rasco, Moshava Germanit e Yevanit, Baka e Makor 'Haim.
Problema, esses apartamentos estão habitados!!! E por pessoas que pretendem muito bem ficar em suas casas!
Ora, os compradores potenciais são muito numerosos.
Com efeito, já entre a população local, há pessoas que desejam comprar ou se mudar. Também interessados, os recém-chegados de outras cidades israelenses. Pois embora estes últimos não compensem aqueles que deixam a cidade (a cada ano cerca de 10.000 pessoas chegam enquanto 16.000 partem para outras cidades, essencialmente para Tel-Aviv e Bet Shemesh), esse movimento cria mesmo assim uma demanda suplementar. Posicionam-se igualmente os novos imigrantes, e se antigamente Haïfa e Tel-Aviv eram os destinos favoritos para se instalar ao chegar em Israel, hoje, Jérusalem se impôs amplamente como cidade de primeira intenção (em 2014, mais de 11% dos novos imigrantes se instalaram primeiro na capital). E desses 2800 novos imigrantes, uma ampla maioria (927) chegava da França, superando mesmo aqueles provenientes da América (678).
Em resumo, portanto, uma forte demanda local, uma forte demanda nacional, e um sionismo religioso que conduz a uma nova forma de sionismo: o sionismo imobiliário, aliando o sentimental à segurança financeira. E apesar de preços necessariamente muito elevados, apesar de uma arquitetura longe de ser Haussmanniana e um percurso de combatente para comprar um bem, é justamente em Jérusalem que o investimento imobiliário parece mais seguro, conduzindo cada vez mais os novos adquirentes a explorar novas pistas ("alyah administrativa") para tentar manter uma discrição absoluta, tanto aqui quanto em seu país de origem ou de residência. Pois se estamos orgulhosos (para nós mesmos) de ser proprietários em Jérusalem, não temos necessariamente vontade de nos exibir como proprietários israelenses fora de nossas fronteiras...
Então no próximo ano em Jérusalem? Afinal, como dizia Théodore Hertzl"se vocês quiserem, não é uma lenda"!
Fontes: Central Bureau of Statistics, Jerusalem Institute for Israeli Research, yad 2, The Marker, Ministério das Finanças